Crime na Aldeia (II)
Não tardou muito até as autoridades identificarem a vítima; aliás tivessem divulgado o retrato da senhora e, mais depressa, ainda, lhes teriam dito que se tratava da enfermeira Eva que visitava a aldeia de quinze em quinze dias. Foi um choque! Ninguém queria acreditar que a pessoa encontrada numa poça de sangue no palheiro da ti Maria da Luz fosse aquela enfermeira simpática que atendia cada queixume, cada maleita com um sorriso nos lábios. Como era possível?
Toda a aldeia estava estarrecida com tal descoberta. Atiravam-se hipóteses, engendravam-se esquemas de ligações que nunca colocavam em causa a idoneidade e a seriedade da senhora enfermeira. Lamentava-se a idade, a juventude, a simpatia da jovem Eva e, ao mesmo tempo, o facto de que, agora, provavelmente, tardaria até terem novo enfermeiro. Amaldiçoava-se quem teria cometido aquela barbaridade.
As autoridades, após identificação da vítima, procuraram inteirar-se um pouco melhor acerca da sua vida, da sua rotina, dos seus hábitos e dirigiram-se à casa onde habitava para a encontrarem praticamente vazia.
Foram destacados para a investigação dois jovens agentes que, apesar dos poucos anos de serviço, já haviam dado provas da sua persistência e da sua capacidade em resolver casos mais complicados.
A Laura, licenciada em advocacia, sempre soubera que carreira queria abraçar, pelo que depressa se direcionou para a investigação criminal e conseguiu ingressar na polícia judiciária; por seu lado, o percurso do Artur acabara por conduzi-lo naturalmente à via da investigação. Curioso e perspicaz por natureza não havia detalhe que lhe escapasse e, já por diversas vezes, fora fundamental na resolução de situações mais complicadas.
As chefias resolveram junta-los pois queriam que o caso se resolvesse com alguma celeridade, pois sabiam bem o que situações destas poderiam significar para uma população pacífica como era aquela gente da aldeia. Assim, a Laura e o Artur acabaram por formar a dupla que investigaria o crime na aldeia.
Começaram por investigar a vítima e descobriram que se formara em enfermagem há pouco mais de 3 anos, fora contratada pelo centro de saúde da vila e solicitara acompanhar as gentes da aldeia, o que implicava que acabasse por fazer um serviço um pouco mais itinerante. Aparentemente era uma pessoa calma, reservada e simpática; não se lhe conhecia família, nem qualquer tipo de relacionamento, fosse ele amoroso ou de simples amizade. O que, no fundo, era estranho, pois era como se vivesse isolada de tudo e de todos. No entanto, o mais estranho estaria, ainda, para acontecer quando a dupla de inspetores foi à suposta residência da enfermeira Eva e a encontrou praticamente vazia, quase despojada de móveis e de outros bens pessoais, tal facto despertou a curiosidade dos agentes. Alguma coisa lhes estava a escapar. O que se passaria ali?

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